Notícias

IPTU surpresa assusta moradores da Zona Oeste

IPTU surpresa assusta moradores da Zona Oeste

iptuimagem

Uma revisão do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) feita ainda pela gestão de Eduardo Paes na prefeitura está deixando muitos moradores do Rio apavorados.

Pessoas que não recebiam o boleto do tributo, sobretudo na Zona Oeste, viram chegar, de uma vez, a cobrança retroativa de até quatro anos.

Isso ocorreu porque, no ano passado, o município realizou estudo via satélite para atualizar o banco de dados da Secretaria de Fazenda.

O objetivo era mapear as áreas e promover mudanças nos valores do IPTU, além de estender o tributo a moradores de regiões que eram, até então, isentas de pagamento nas zonas Oeste e Norte.

Morador de Campo Grande, na Zona Oeste, Wanderlei Salci da Silva, de 55 anos, teme ser despejado de casa por não ter condições de pagar a cobrança de R$ 13 mil que recebeu em novembro. “Sou doente crônico e recebo R$ 900 do INSS. Mesmo parcelando em 10 vezes, não tenho como pagar”, desabafou ele, que está com o boleto vencido desde 12 dezembro.

Proprietário do imóvel há 23 anos, Wanderlei Salci da Silva, que sempre teve isenção, afirma não ser contra a cobrança, mas não considera justo o valor com retroativos.

O presidente do Conselho Comunitário do bairro São Jorge e Adjacências em Campo Grande, Ronaldo Cunha, afirmou que já foi procurado por pelo menos 1.500 pessoas em busca de auxílio jurídico referente à cobrança do imposto.

Segundo ele, os moradores estão sendo cobrados pelo período entre 2012 e 2016. “Ninguém foi avisado com antecedência que haveria cobrança de retroativos. As pessoas estão com medo de entrar na Dívida Ativa (cobrança do município) e ter que deixar suas casas.”

O assistente social Walace Holanda, que há cerca de 20 anos criou, em Realengo, ONG que atende crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica, também foi pego de surpresa com a cobrança. Ele teme que o projeto ‘Centro Brasileirinho de Atenção à Criança e Adolescente Vitimizadas”, que conta com 11 voluntários e atende 100 jovens, possa estar ameaçado. Apesar de nunca ter pago IPTU, Walace Holanda recebeu, também em novembro, um boleto de R$ 7 mil. Para ele, o preço é abusivo e veio sem aviso prévio. “Para não correr o risco de paralisar a prestação de serviços, vou tentar negociar a dívida.”

Já o aposentado Nilton Alves, de 62 anos, de Campo Grande, afirma que sempre pagou IPTU, mas em novembro recebeu a cobrança retroativa de R$ 2.400.

A prefeitura informou que o contribuinte que discordar dos valores pode contestá-los em um dos postos da Secretaria de Fazenda. O prazo para requerimento é até o dia 31 de março.

O deputado estadual Jorge Felippe Neto (PSD) entrou com representação no Ministério Público Estadual pedindo a revisão dos valores cobrados e a anulação do retroativo embutido no IPTU.

Após o período de recesso do judiciário, que acaba nesta segunda, o parlamentar irá se reunir com o novo procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem, para discutir o tema.

O deputado afirma que a Prefeitura do Rio agiu de má fé ao enviar a cobrança com retroativo. “Em um período de crise, a prefeitura não pode onerar as pessoas de baixa renda com valores tão altos. Se eles optaram por não cobrar IPTU durante décadas, alterar a fórmula e exigir retroativo viola princípios de moralidade”, criticou.

O Ministério Público do Rio recebeu a representação do deputado e informou que o caso será analisado pela 4ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Capital. Ainda segundo o MP, caso o promotor verifique alguma violação de direitos, poderá instaurar inquérito civil para investigação e adoção das medidas cabíveis pelo órgão.

Fonte : O Dia

 

 

 

< Voltar