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Coronavírus: “Me casei no drive-thru, em três minutos”

Desde de que, em 2016, passou quatro dias na UTI entre a vida e a morte, em decorrência da gripe H1N1, a administradora carioca Patrícia Antunes Fernandes decidiu nunca mais postergar decisões importantes. Sem plano de saúde e apavorada com o surto do novo coronavírus, ficou sabendo, em uma quarta-feira à noite, que poderia entrar como dependente no plano de Marcus, com quem já vivia havia sete meses, caso fossem casados no civil ou tivessem união estável. Na mesma hora, começou a pesquisar cartórios que estivessem abertos na folga de Marcus, no fim de semana. Escreveu para um deles em uma sexta-feira à noite e sábado de manhã ficou sabendo que poderia casar em menos de uma hora, em um esquema de drive-thru. Mandou os documentos por WhatsApp, pegou o carro e foi. A “cerimônia” dentro do carro, durou menos de três minutos. E o casal espera viver feliz para sempre.

“Moro com Marcus desde outubro do ano passado, três meses depois de começarmos a namorar. Nos conhecíamos havia oito anos, de modo que, apesar de tudo ter acontecido muito depressa, já tínhamos bastante intimidade. Como ambos havíamos passado por casamentos anteriores, pensávamos em celebrar nossa união em Las Vegas, nos Estados Unidos. Queríamos emoções diferentes das que havíamos vivido no passado. Algo marcante, único, e que fosse a nossa cara. Não tínhamos pressa, porém.

Em meados de março, no entanto, Marcus, que é músico, entrou para o exército e ficou sabendo que, se tivéssemos casados, poderia ser sua dependente e ter direito aos mesmos benefícios que ele. E eu, que, em 2016, havia passado sete dias internada, quatro deles em uma UTI entre a vida e a morte, em decorrência da gripe H1N1, não pensei duas vezes. Primeiro porque, depois desse período doente, havia decidido que nunca mais postergaria nada. Depois, porque não podia bobear. Sei bem do estrago que uma gripe com essa potência pode causar, e estava sem plano de saúde.

Imediatamente, comecei a pesquisar um cartório que estivesse funcionando aos sábados, dia da folga de Marcus. Era uma quarta-feira. Procurei um monte, tudo fechado graças ao coronavírus. Continuei minha busca até que, sexta à noite, enviei uma mensagem pelo site do Cartório 15° de Notas perguntando se estariam abertos. No dia seguinte pela manhã, entraram em contato comigo. Disseram que estavam funcionando, mas, por causa do novo coronavírus, como drive-thru. Achamos curioso e superdivertido. E entendemos que aquele, sim, seria um casamento único e com a nossa cara.

Ainda naquela manhã, o tabelião pediu que enviássemos nossos documentos por WhatsApp para ele adiantar o contrato da união estável. Foi o tempo de mandar, pegar o carro e ir. Do jeito que estávamos: jeans e camiseta.

Chegamos lá uma hora depois e já estava tudo pronto. Só precisávamos mesmo assinar o documento, o que não levou mais do que três minutos, nem do carro saímos. Nosso tão sonhado ‘sim’ aconteceu sem família, amigos, nada. Só minha irmã caçula, que mora com a gente e foi junto para servir de testemunha, assistiu à ‘cerimônia’. E foi assim que, no dia 21 de março deste 2020, me casei com o grande amor da minha vida.”

Matéria publicada originalmente no site da revista Marie Claire online.

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